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4 de Fevereiro, 2006 Carlos Esperança

Lúcia fez milagre na Argentina

[A menina foi submetida a dez dias de terapia intensiva e começou a fazer hemodiálise. Quando tudo parecia encaminhar-se para que melhorasse, contraiu uma infecção hospitalar. Para a curar da bactéria, os médicos precisavam de dar-lhe um antibiótico. Mas os rins podiam não aguentar o poder do medicamento.
Foi então, a 13 de Junho, que Alexandra Maria se ajoelhou junto à cama da filha, levou ao peito o livro «Memórias da Irmã Lúcia» e pediu à vidente que curasse a menina e a deixasse viver sem sequelas. Dias depois, a criança recuperou. «Fizeram análises e já não havia sinais da infecção, nem da doença», conta a mãe, salientando que até os médicos classificaram a cura de «milagre»].
(Correio da Manhã, 3/2/2006)

Como previsto, pelo Diário Ateísta, em 18 de Fevereiro do ano passado, no artigo «A canonização de Lúcia», a adjudicação de um milagre seria breve, apesar de, por hábito, a intercessão milagreira estar interdita a cadáveres menores de cinco anos.

O Vaticano prescindiu da cobrança dos 250 a 300 mil euros à postulação portuguesa, custo habitual de uma beatificação – excelente augúrio, tratando-se de dinheiro.

Menos de um ano depois, e antes de removido o cadáver, já chegaram às mãos do padre vice-postulador 13 quilos de milagres, em cartas, que referem graças recebidas.
E há um que não falha. É, pelo menos, a convicção do padre responsável pelo processo de canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. «É uma cura sensacional, já por intercessão da irmã Lúcia depois da sua morte», disse o sacerdote.

O Diário Ateísta soube pelo Correio da Manhã, um jornal com excelentes relações com o divino e com o antigo director da PJ, que se chama Rosário André, tem quatro anos e vive na cidade de Salta, no Norte da Argentina, a menina curada em Junho de 2005 por intercessão da Irmã Lúcia.

A mãe da criança, Alexandra Maria, é uma grande devota de Nossa Senhora de Fátima e dos Pastorinhos.

Está, assim, em vias de ser reparada a injustiça, provocada pela longevidade, em que a Lúcia se atrasou no caminho da santidade, apesar de ser a única confidente da Virgem, que a aturava nas conversas, a via e lhe fazia os recados.

Graças à Lúcia, os portugueses criaram pelo terço uma loucura só hoje comparável à do Euromilhões, a Rússia começou o processo de conversão e JP2 levou um tiro por não ter previsto que o 3.º segredo era com ele.

3 de Fevereiro, 2006 jvasco

Liberdade de Expressão

É engraçada a forma como esta imagem traduz bem a polémica que causou

3 de Fevereiro, 2006 Carlos Esperança

Em nome da liberdade


A transferência do direito divino para a soberania popular foi um pequeno passo para a democracia e uma grande decepção para o clero.

A liberdade é um bem cada vez mais escasso. Devassada pela insegurança dos Estados, ameaçada pelo medo e tolhida pelo fanatismo religioso, a liberdade precisa de quem a defenda contra tudo e contra todos.

A publicação destas caricaturas de Maomé desencadeou a ira do islão e os desacatos, ameaças e violências dos fanáticos do pastor de camelos. Amanhã seriam os cristão a combater esta alusão ao calvário de Cristo e a liberdade de expressão regressava às mãos dos padres e coronéis que na ditadura exerciam a censura à imprensa.

Temos na memória o trauma das perseguições da inquisição, a celeuma recente de um aconselhável preservativo colocado em sítio menos óbvio – o nariz de João Paulo II -, pelo cartoonista António e o assassinato de um médico por um pastor evangélico, na sequência da prática de um aborto, nos EUA.

Temos o direito de caricaturar Deus, como afirmava intemerato o jornal France Soir «OUI, on a le droit de caricaturer Dieu».

Se nos deixarmos tolher pelo medo, não tarda que o poder seja de novo confiscado pelo clero, que sempre reivindicou procuração divina, e que sejam postos em causa direitos, liberdades e garantias arduamente conquistados ao longo dos séculos.

Dar publicidade aos testemunhos de irreverência, humor e heresia não é provocação aos crentes, é um acto de cidadania em defesa da liberdade de criação, uma ousadia contra a chantagem, uma advertência de quem resiste ao medo, à violência e à chantagem.

Este artigo, publicado em simultâneo no Diário Ateísta e no Ponte Europa, é um acto de solidariedade para com todos os criadores artísticos, órgãos de comunicação social que os acolhem e países que não se vergam à histeria da fé e ao fascismo religioso.

É também uma forma de homenagear Salman Rushdie cuja condenação à morte nunca foi censurada pelo Vaticano.

Não faltam cobardes a dizer que «deve haver um certo cuidado» e que «talvez não tenha sido sensato». A pusilanimidade não conhece limites.

3 de Fevereiro, 2006 Carlos Esperança

Cardeal, agente duplo

«O cardeal húngaro Laszlo Paskai, antigo arcebispo de Esztergom e de Budapeste, trabalhou para os serviços secretos comunistas nos anos 1960 e 1970, escreve esta quinta-feira o semanário húngaro Elet es Irodalom».

Trata-se mais de um agente duplo do que propriamente de um espião da União Soviética. Não se pode dizer que trabalhava para Deus e para o Diabo.

O KGB e o Vaticano eram duas centrais de intoxicação internacional.

Graças à confissão, o bondoso cardeal podia prestar um excelente serviço às duas multinacionais da repressão.

2 de Fevereiro, 2006 Carlos Esperança

Solidariedade


As barbas do profeta – Diário Ateísta/Ponte Europa

«Obviamente que sou solidário com os meus colegas Dinamarqueses» Zédalmeida

2 de Fevereiro, 2006 Palmira Silva

Propaganda eleitoral

Como já há uns largos meses previ, o Vaticano veio em auxílio, (mal) disfarçado, claro, de outro católico exemplar, grande defensor de óvulos e espermatozóides, Silvio Berlusconi, que parte para as eleições de Abril próximo com uma clara desvantagem em relação ao seu opositor, que encabeça a coligação de centro-esquerda, Romano Prodi.

Não obstante dizer que a Igreja Católica não vai interferir nas eleições apoiando directamente, isto é, pelo nome, qualquer dos candidatos, o Cardeal Camillo Ruini, o eclesiástico máximo da Conferência de Bispos Italianos, afirmou que os eleitores italianos «deviam ter em consideração» assuntos como o aborto e o reconhecimento legal de uniões de facto homossexuais, vivamente condenados pelo Papa há uns dias, quando escolherem quem os vai governar nos próximos anos.

Considerando que Romano Prodi, social-democrata que foi presidente da Comissão Europeia, se declarou a favor do reconhecimento dos direitos legais dos casais que vivem em união de facto, hetero ou homossexuais, embora não pretenda permitir o casamento homossexual e que Berlusconi se tem desdobrado em aparições públicas com um discurso que mereceu a observação no Corriere della Sera que, aos 69 anos e casado em segundas núpcias, Berlusconi «aparentemente tornou-se um cristão tradicionalista do dia para a noite», não é muito difícil ver nas palavras do Cardeal um apelo ao voto em Berlusconi!

De facto, usando toda a máquina mediática que controla, Silvio Berlusconi tem reiterado ao vivo e a cores, sob o aplauso do Vaticano, que a sua coligação de centro-direita representa os «valores familiares» e como tal afirmou já o seu repúdio ao reconhecimento das uniões de facto. Para além disso, pretende limitar as importações da pílula Mifepristone, mais conhecida como RU486, num país em que o aborto é legal desde 1978, e prometeu colocar activistas pró-vida nos centros estatais de aconselhamento sobre o aborto. O discurso pré-eleitoral fundamentalista católico de Berlusconi já levou milhares de manifestantes a Roma e Milão reclamando, respectivamente, o reconhecimento legal de todas as uniões de facto e que não seja revogada a lei de 1978, referendada em 1981, que permite o aborto em Itália.

Entretanto as tentativas de conquistar o voto católico de Berlusconi atingiram contornos caricatos no fim de semana passado quando, em directo numa das quasi diárias aparições nas estações de televisão italianas, prometeu honrar o «ideal católico da castidade» abstendo-se de sexo até depois das eleições!

O Corriere della Sera realça no entanto que o voto de castidade temporária de Berlusconi surgiu depois de ele ter respondido «Sim, frequentemente» à pergunta do tele-pregador que o entrevistava se tinha sido fiel às suas mulheres…

1 de Fevereiro, 2006 Ricardo Alves

Luis Rodrigues e as duas cachopas casadoiras

Hoje, o mais recente colaborador do Diário Ateísta, o Luis Grave Rodrigues, irá a uma conservatória de Lisboa num esforço para que duas raparigas que vivem juntas se possam casar. Na aparente simplicidade de confrontar a Constituição igualitária com o Código Civil discriminatório, joga-se a extensão do casamento a pessoas do mesmo sexo.

Terminei o meu último artigo notando que o puritano é aquele que se horroriza com o facto de alguém, algures, procurar a felicidade de uma forma que ele não aprova. E acrescentei que o totalitário vai mais longe e tenta impedir que esse alguém, esteja onde estiver, faça algo que não afecta mais ninguém. A descrição serve tanto para o Islão como para o catolicismo: são dois exemplos de religiões totalitárias. E é pertinente neste caso: existe um preconceito social enraizado, de inspiração religiosa, contra os adultos que mantêm entre si relações sexuais que muito poucos praticariam, mas que não afectam mais ninguém. E existe uma resistência irracional, também de origem religiosa, a que essas pessoas oficializem perante o Estado uma união estável.

No Portugal da Inquisição (se me é permitido falar da Inquisição…) o totalitarismo católico foi levado às últimas consequências: mesmo no espaço familiar e privado era proibido praticar outra religião que não aquela que detinha o poder político e público. A prisão de António José da Silva, por exemplo, deu-se quando uma escrava de casa descobriu que o seu amo respeitara alguns rituais judaicos, em segredo e atrás das portas fechadas da sua residência. O dramaturgo morreu na fogueira.

As religiões atrás referidas reunem no mesmo sistema uma cosmovisão e uma ética (o que é legítimo e não aborrece ninguém), mas as igrejas que as representam laboram para impor essa ética por via política (a cosmovisão já não aguenta o confronto com a ciência). Se tivessem o campo inteiramente livre, mesmo o nosso espaço privado seria escrutinado e controlado para que se aferisse da correcção religiosa do nosso comportamento pessoal. E no entanto, as igrejas poderiam falar apenas para os seus. No caso do casamento de pessoas do mesmo sexo, até seria melhor que evitassem pronunciar as excomunhões e anátemas habituais. Não os prejudica e nem sequer os afecta: não é nada com eles. E, no dia em que passar a ser uma escolha banal, também não será nada connosco.

31 de Janeiro, 2006 Carlos Esperança

Apedrejadores do diabo

Em tempos, o catolicismo saía das missas, empanturrado em hóstias e orações, para as fogueiras onde, em euforia mística, assistia à incineração de hereges, apóstatas e ímpios, com bruxas à mistura e judeus que tivesse à mão.

Hoje, são os beatos do profeta Maomé, um troglodita analfabeto que em vinte anos de convivência com Deus não aprendeu a ler, por ser mais fácil alfabetizar os camelos que circulavam entre Medina e Meca do que o rude pastor que os conduzia.

A Noruega e a Dinamarca, países ricos, cultos e civilizados, onde os autóctones não têm por hábito virar-se para Meca, nem matar o ócio com cinco orações diárias, publicaram caricaturas do profeta a quem uma viúva rica e os camelos permitiram vida desafogada.

Da demência dos crentes já aqui deu conta o Ricardo Alves, em «Blasfémia: a cara de Maomé».

O Diário de Notícia também refere como a Noruega e a Dinamarca são alvos da ira dos países islâmicos pela publicação destas caricaturas.

A blasfémia é para o islão um pecado que exige a pena de morte. Para quem, ainda há pouco, assassinou a cineasta Theo van Gogh e procura agora impedir a liberdade de expressão, não há limites à loucura com que busca o Paraíso.

Cabe aos países que se libertaram da opressão papal impedir que beatas manifestações de proselitismo venham perturbar o ambiente de liberdade e tolerância que a Europa conquistou contra a fúria evangelizadora dos parasitas de Deus.

Depois da Bíblia só nos faltava o Corão.