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3 de Julho, 2014 Luís Grave Rodrigues

Como nasce uma religião

http://www.upworthy.com/l-ron-hubbards-great-grandson-spills-the-family-secrets-on-how-scientology-started-eek?c=reccon1

 

2 de Julho, 2014 Carlos Esperança

Reflexões (sucintas) sobre ‘califados’…

Califa

 

Por

E – Pá

O que julgávamos ser um facto histórico do passado morto e enterrado com a derrocada do império otomano está de novo a acontecer.

Algures no Iraque os jihadistas declararam o ‘Estado Islâmico no Iraque e no Levante’ e designaram como califa o xeque Al-Baghdadi

É curioso verificar que o último califado, o otomano, desgastado e decadente desde o séc. XVIII (com a expulsão dos turcos da Hungria) acabou por morrer no rescaldo a I Guerra Mundial (que começou há precisamente 100 anos) sendo o seu ‘executor’ um militar do agonizante sultanato otomano – o general Kemal Ataturk.

A ideia de ‘ressuscitar o califado’, durante o século XX, não é estranha a vários grupos (facções) fundamentalistas islâmicos como um instrumento da ‘unificação da luta’ (contra o Ocidente e pelo proselitismo). Informa – ou informou – as correntes doutrinárias (político-religiosas) ‘pan-islâmicas’, ou na sua vertente laica, os movimentos ‘pan-arabistas’.
O ‘Partido da Libertação’ (Hizb ut Tahrir), criado em 1953, nasceu com esse propósito programático como, por outro lado, o movimento Baath, unificado em 1947 (na saída da II Guerra Mundial), apresenta um programa laico, regionalista e do ‘socialismo árabe’ que fracassou, afundando-se em cruéis e sanguinárias ditaduras. Estes são exemplos de ‘movimentações islâmicas’ alimentadas por ‘sonhos unificadores’ (pan-islâmicos e/ou pan-árabes).

A grande questão é: quais as consequências deste novo ‘califado’?
Bem, a primeira e a mais importante será a criação de maior instabilidade na região (Médio Oriente). Quer o Irão (xiita), quer a Arábia Saudita (sunita), não estarão disponíveis para abdicarem, em favor do novo califado, dos papéis de liderança na região. O ‘efeito boomerang’ no interior do reino saudita, cujos dirigentes tem apoiado os jihadistas (nomeadamente na Síria), pode dar origem a adesões internas ao califado, contestando a casa real saudita que administra ou controla, concomitantemente, uma parte significativa do petróleo da região e os locais sagrados do Islão, o que não é uma perturbação de pouca monta.
Por outro lado, os governos em exercício na região, seja por questões políticas, por divergências faccionistas de índole religiosa ou por meras motivações de poder, não estão disponíveis para reconhecer um califado, qualquer que ele seja.
Esta iniciativa jihadista funciona globalmente como uma ameaça: para os países da região e para o Mundo Ocidental, que no decurso dos últimos acontecimentos no ‘Levante’ (a)parece disposto a emendar a mão sem, contudo, alterar a estratégia de dominação (no sector energético).

Aliás, o ‘espectro do califado’ persegue e condiciona, desde os trágicos acontecimentos de 11 de Setembro de 2001, a política internacional do Ocidente, liderada pelos EUA. Na realidade, também, Bin Laden alimentou o sonho de um califado que ainda perdura como instrumento histórico de unificação muçulmana.

G. W. Bush esforçou-se por tirar partido desta situação e a ‘questão do califado’ ensombrou a estratégia global desenhada por Washington na luta contra o terrorismo. Teve (e ainda tem) cúmplices por esta Europa fora – entre eles Blair, Aznar e Barroso – que ‘justificaram’ todo o tipo de tropelias pelo Mundo (islâmico e não só).

Na verdade, o avanço do ultraconservadorismo (neoliberalismo), oriundo dos EUA, tem utilizado o argumento maniqueísta do Bem e do Mal (com algum conteúdo místico) e socorrendo-se de instrumentos financeiros (monetaristas) especulativos e dominadores, visa assegurar ao Ocidente a liderança mundial, dita global.

É, por assim dizer, o ‘califado do Ocidente’, ou se quisermos o ‘califado de Chicago’. Um mal (o ‘novo califado’) nunca vem só. Tem, sempre, antecedentes e consequências.

30 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Dois Rivera distintos

Por

Leopoldo Pereira

Miguel Primo de Rivera foi um ditador fascista espanhol, que começou por aos 14 anos ingressar no exército, prática comum dos filhos de nobres, tendo chegado ao posto de general na idade de 42 anos, por mérito em combate nalgumas colónias espanholas. Não gostava dos anarquistas catalães, nem dos seus congéneres, e desencadeou um golpe de estado de que saiu vitorioso, com a ajuda do rei (Afonso XIII), da maioria do patronato, de grande parte do clero, das forças armadas e dos conservadores.

Não aprecio ditadores, qualquer que seja a sua cor; dizem que este até foi brando, o que pouco abona em seu favor (um ditador deve ser tipo Hitler, Estaline, Pol Phot, Mussolini, Mao Tse Tung, Kim Jong, etc.), mas não deixou de perseguir anarquistas, catalães e todos quantos lhe fizessem sombra. Acabou por cair em desgraça no seio das forças armadas e perante o próprio rei. Então apresentou a demissão (estão a ver, um ditador não faz isso) e foi morrer a Paris, volvidos dois meses.

Os portugueses, sempre atentos ao que se passa lá fora e ciosos de um enorme sentimento patriótico, logo bolaram o famoso golpe do 28 de Maio de 1926, a que se seguiu a criação da não menos famosa União Nacional, tudo inspirado no General fascista espanhol.

A sociedade espanhola apresentava contrastes extremos, dos anarquistas aos fascistas, passando pelos comunistas, católicos, monárquicos, etc., e o resultado foi a Guerra Civil, que provocou muitos milhares de mortos. Como costuma suceder nestes casos, apareceu um Salvador da Pátria que, com a ajuda de aviões, barcos e homens, dos amigos Hitler e Mussolini, também com a ajuda de Deus, levou de vencida os “arruaceiros”. O ditador Franco procedeu a inúmeras prisões, fuzilamentos sumários e enviou muita gente para campos de concentração. Assim é fácil governar e, tal como Salazar, morreu no seu posto.

Durante o “reinado” de Franco, o Monarca espanhol exilou-se em Portugal, tendo o seu sucessor sido reabilitado pelo ditador (ainda em vida), passando de novo a monarquia a reinar em Espanha. Franco não fez só coisas más, evidentemente; entre as boas destaco a Falange Espanhola, fundada por José António Primo de Rivera, um dos filhos do General fascista acima referido. Foi fuzilado pelas Forças Republicanas (estes gajos também não eram bons). Franco mandou construir um imponente monumento, perto de Madrid, em memória dos mortos da Guerra Civil, o Vale dos Caídos; aí estão sepultadas cerca de 40 000 combatentes, mais os fascistas José Primo de Rivera e o ditador Franco, que quis ficar ao lado da tumba daquele.

No encalço de um Rivera diferente, viajámos até ao México, onde alguns patriotas acreditam que as suas terras já eram habitadas há cerca de 20 000 anos. Consultando a Bíblia Sagrada, facilmente verificamos que os tipos mentem. De qualquer modo têm muito de que se gabar: Olmecas, Maias, Astecas, petróleo, Los Panchos, los sombreros, narcotráfico, Zapata Salazar, Octavio Paz (Nobel da literatura), boleros, ditadores como Santa Anna e Porfírio Díaz, não esquecendo o Zorro (lenda criada quando a Califórnia deixou de ser mexicana), a Senhora de Guadalupe, tão ou mais venerada que a Senhora de Fátima e a subjugação aos espanhóis, por volta de 1500, que fizeram uma limpeza profunda naquelas civilizações antigas (não católicas).

Em 1886 nasceu no México o menino Diego Rivera, que começou a pintar aos 3 anos de idade e aos 5 deu mostras de “maturidade” ao dizer alto e bom som que a Virgem Maria não passava de uma estátua de madeira (surda às orações), quando assistia à missa dominical com os pais. Obviamente deixou a família embaraçada, nem o caso era para menos; o menino tinha cometido blasfémia, a estátua podia ser de barro (por exemplo). Viveu e desenhou em Paris, foi simpatizante do comunismo, usufruiu de uma situação económica razoável, dedicava-se sobretudo a pinturas em paredes, cobrindo os seus trabalhos grandes superfícies, dedicados quase em exclusivo às injustiças de carater social. Acreditava que a arte pode ser uma arma.

Voltou para o México. Abandonou o Partido Comunista, passando a ser duramente criticado pelos ex-camaradas e pelos conservadores (por causa dos ataques ao clero). Levava porrada de todos os lados, mas nunca desistiu. Finalmente o Partido Comunista Mexicano reintegrou-o, talvez para daí tirar proveito, mas o País reconheceu o seu valor de artista (considerado por muitos o mais célebre artista revolucionário do mundo), sepultando-o na Rotunda dos Filhos Ilustres do México.

L. Pereira, 28/06/2014

30 de Junho, 2014 Ludwig Krippahl

Treta da semana (passada): ciência criacionista.

A “Enciclopédia de Ciência da Criação” define que: «Um cientista criacionista contemporâneo é uma pessoa que está formalmente treinada em uma disciplina científica, mas que aborda um campo de estudo e/ou de pesquisa a partir da crença de que o universo foi criado por Deus.»(1). Ironicamente, a tentativa de dar ao criacionismo a aparência de ser científico acaba apenas por expor a treta. Mais importante ainda, porque o criacionismo por cá é ainda uma anomalia minoritária, isto ilustra também a inconsistência fundamental entre qualquer religião e a ciência.

O objectivo da ciência é moldar as nossas crenças à realidade. Não é um processo infalível nem acabado mas tende a melhorar gradualmente o encaixe entre aquilo que julgamos ser e aquilo que realmente é. Para esse fim, não se pode, por exemplo, abordar a geologia a partir da crença de que a Terra é plana ou a astronomia a partir da crença de que a Lua é feita de queijo. Seja qual for a crença ou problema, não é científico comprometer-se à partida com uma crença, de forma firme e persistente, porque o que se quer com a ciência é explorar as possibilidades e procurar as crenças que melhor correspondam aos dados que se vão acumulando. Para isso exige-se uma atitude céptica no sentido de adoptar ou rejeitar crenças sempre conforme o peso das evidências e nunca por vontade pessoal. O que é exactamente o contrário da crença religiosa, carente de fé e apregoada como resultando do exercício da vontade livre do crente.

Esta diferença é evidente em vários trechos da enciclopédia criacionista. O artigo sobre “Cosmologia criacionista” explica que «A idade do universo estimada atualmente está muito além do que um cientista criacionista típico aceitaria. Em resposta, muitas cosmologias criacionistas de universo jovem têm sido propostas para discutir a questão da idade»(2). É consensual na cosmologia que o universo tem quase catorze mil milhões de anos. Este valor já foi revisto várias vezes, porque valores anteriores revelaram-se incompatíveis com a informação que se ia obtendo, mas a ciência progride precisamente por encontrar alternativas que se ajustam melhor aos dados. O “cientista” criacionista faz o contrário. Primeiro decide em que hipóteses acredita «a partir da crença de que o universo foi criado por Deus» e depois limita-se a escolher as evidências que forem mais favoráveis a essas crenças.

Noutro exemplo, «Criação biológica é basicamente o estudo dos sistemas biológicos, enquanto acontecem sob a suposição de que Deus criou vida na Terra. A disciplina é estabelecida sob a idéia de que Deus criou um número finito de discretos espécies criadas»(3). Quando se usa a ciência para estudar algo não se pode estabelecer disciplinas “sob ideias” pré-concebidas nem fixar qualquer suposição. Afinal, o objectivo é perceber o que se passa e não cultivar preconceitos. Por isso, o tal “criacionismo científico” não é ciência mas apenas uma de muitas aldrabices que abusam da ciência para fazer parecer que a sua doutrina tem fundamento.

Se bem que muitos crentes concordem com este juízo acerca do criacionismo, porque rejeitam a interpretação literal dos escritos religiosos, normalmente recusam-se a reconhecer que este conflito entre religião e ciência não depende dessa interpretação literal nem é evitável enquanto a religião professar a fé em alegações acerca da realidade. Quer leiam a Bíblia à letra quer a leiam como metáfora, a fé firme na «crença de que o universo foi criado por Deus» torna-os todos criacionistas e põe-nos todos em contradição com a ciência. Nem é só pelos indícios, cada vez mais fortes, de que o universo não foi criado com inteligência nem há ninguém encarregue disto tudo que se rale minimamente com o que nos acontece ou com o que fazemos. É, principalmente, porque a ciência exige que se trate todas as crenças como equivalentes à partida e se faça distinção entre elas apenas pelo que objectivamente revelam corresponder à realidade. Isto é incompatível com qualquer fé, dogmatismo ou crença pré-concebida da qual não se queira abdicar.

1- Enciclopédia de Ciência da Criação, Cientista criacionista
2- Enciclopédia de Ciência da Criação, Cosmologia criacionista
3- Enciclopédia de Ciência da Criação, Criação

Em simultâneo no Que Treta!

22 de Junho, 2014 José Moreira

Será um sinal?

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O novo rei de Espanha, Filipe VI prometeu, entre outras coisas, uma “monarquia moderna”. Embora isso me cheire a paradoxo, assim uma espécie de gigante pequenino ou preto claro, há sempre a esperança de que um rei jovem traga alguns sinais de modernidade quando se inicia uma nova etapa, assim uma espécie de “evolução na continuidade”, onde foi que já ouvi isto?

Afinal, parece que não se trata, apenas, de simples promessa de circunstância. O insuspeito “Jornal de Notícias” dá conta de que a cerimónia de proclamação não teve qualquer cerimónia religiosa o que, no entanto, não impediu os bispos de pedir aos espanhóis  que rezassem pelo novo rei, numa espécie de postura em bicos de pés sem que, no entanto, se vislumbre qualquer utilidade nas orações.

Ou seja, Filipe VI absteve-se de benzeduras o que, queiramos ou não, é de bom augúrio, relativamente ao  caminho que parece querer seguir quanto à questão de galhos e macacos.  Mas será que os macacos alguma vez saberão quais são os respectivos galhos?

21 de Junho, 2014 Carlos Esperança

Associação Ateísta Portuguesa (AAP) – o 1.º Encontro

Assunto:Jornal de Coimbra 31/12/03

 quarta-feira, 31 de Dezembro de 2003
“Vale mais um primeiro almoço do que a última ceia”

“Vale mais um primeiro almoço do que a última ceia”, foi esta a frase que serviu de mote ao primeiro encontro nacional de ateus, realizado no passado sábado (dia 27), no Hotel D. Luís, em Coimbra. Uma reunião, fruto de debates entre membros da lista de discussão da página da internet dedicada ao ateísmo, na qual estiveram presentes a Associação Ateísta Portuguesa e a Associação República e Laicidade. Cerca de duas dezenas de ateus estiveram juntos para discutir, entre outros assuntos, os privilégios que são dados aos católicos. Para Onofre Varela, da Associação Ateísta Portuguesa (AAP), “Deus é um factor e um conceito social, que só habita dentro das mentes dos crentes, pois fora destas cabeças não existe Deus nenhum”. A AAP existe há cinco anos, tem cerca de 40 membros e “está agora numa altura de crescimento e elaboração de estatutos”, referiu Onofre Varela, continuando: “As sociedades têm sido construídas pelas religiões, mas deviam ser antes de mais sociedades humanas. A igreja propagandeia valores, como por exemplo a fraternidade, mas não os pratica. Os ateus praticam, mas não propagandeiam”.

Por sua vez, a Associação República e Laicidade (ARL) existe desde Fevereiro do presente ano e tem, à semelhança da AAP, cerca de 40 membros. Segundo Ricardo Alves, da ARL, “o importante é não haver discriminações nem privilégios e queremos acima de tudo a separação de poderes”, sublinhando a importância da existência de uma sociedade onde cada um tenha a liberdade de escolher.

Em opinião expressa ao JC, Carlos Esperança, da comissão organizadora, defendeu que “os católicos são católicos de fachada, ao passo que os ateus têm tendência de ser cada vez mais praticantes. O culto sobrevive mais por uma questão de interesses”. Porque “a religião não é um mal necessário nem deus uma desgraça inevitável” e mais importante que “os mandamentos da lei de Deus, é a Declaração dos Direitos do Homem. Mais honrosa que a virgindade de Maria é a dignidade da mulher. Mais justos que Deus são os homens na sua progressiva marcha para a eliminação de qualquer forma de discriminação. O ateísmo não manda queimar livros, nem pessoas, não proíbe, nem condena, mas não renuncia ao combate pela liberdade”, realçou.

Este primeiro encontro, cuja data foi escolhida ao acaso, pois “nada temos a ver com dois mil anos de um nascimento qualquer, é apenas um ponto de partida para uma longa caminhada contra o obscurantismo. Outros se seguirão”, garantiu Carlos Esperança.

Carla Martins