A sociedade precisa de espiritualidade laica
Por
Kavkaz
A rádio TSF, no programa “Pessoal e intransmissível“, de 14 de Outubro de 2008, transmitiu uma entrevista com o escritor e filósofo francês Luc Ferry, 57 anos, autor do livro “Famílias, amo-vos”. Ele foi Ministro da Educação de França em 2002-2004.
Nesta entrevista, com a duração de 35 minutos, Luc Ferry define a Filosofia como “uma tentativa de responder à questão da vida boa, à questão do sentido da vida sem passar nem por Deus, nem pela fé”.
Ele aborda a sua passagem pela política francesa de forma interessante. Na terceira parte dessa entrevista (depois do minuto 22), Luc Ferry conta-nos reconhecer três tipos de famílias:
1) A medieval, em que as pessoas são casadas à força pela comunidade, com um casamento sem amor;
2) A família burguesa, de grosso modo de 1850 a 1950, ainda hoje idealizada pela direita e até pelos chefes religiosos, em que existiam poucos divórcios, mas a mulher sacrificava a sua vida amorosa e profissional por uma família aborrecida, a maior parte das vezes, e não muito bonita. Os maridos frequentavam uma instituição: o bordel. Na família burguesa as pessoas se enganavam, viviam permanentemente na infidelidade e na mentira;
3) A família moderna é fundada nos sentimentos do amor. Quando estes acabam dá-se o divórcio. É uma família muito mais autêntica, sincera e fiel.
Luc Ferry diz-nos que não devemos confundir moral e espiritualidade. A moral é o respeito pelos outros, os direitos humanos. Não é a moral o que nos falta.
Ele entende que a fórmula das sociedades actuais é o mercado mais os direitos humanos. Mas não há nisto qualquer espiritualidade. Vivemos em sociedades hiper-morais que falam da eutanásia, bioética, cuidados com os doentes, apoio aos desempregados, acção humanitária em países longínquos, etc. Mas estão totalmente privadas de espiritualidade. Falta-nos uma espiritualidade não religiosa, uma espiritualidade laica.
A espiritualidade laica aceita a morte. Deve-se preferir uma vida boa, mas mortal, a uma vida falhada de imortal. Para os ateus, ao contrário do que acontece com os cristãos, o objectivo não é aceder à eternidade, à imortalidade. É desta espiritualidade laica que precisamos hoje em dia, diz-nos Luc Ferry.
Perfil de Autor
- Ex-Presidente da Direcção da Associação Ateísta Portuguesa
- Sócio fundador da Associação República e laicidade;
- Sócio da Associação 25 de Abril
- Vice-Presidente da Direcção da Delegação Centro da A25A;
- Sócio dos Bombeiros Voluntários de Almeida
- Blogger:
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- Avenida da Liberdade http://avenidadaliberdade.org/home#
- Colaborador do Jornal do Fundão;
- Colunista do mensário de Almeida «Praça Alta»
- Colunista do semanário «O Despertar» - Coimbra:
- Autor do livro «Pedras Soltas» e de diversos textos em jornais, revistas, brochuras e catálogos;
- Sócio N.º 1177 da Associação Portuguesa de Escritores
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